Para empresas que dependem de financiamento e consumidores que buscam alternativas de crédito, o mercado de fintechs entrou em uma etapa de maior escala no Brasil. Em 2025, as companhias participantes da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2026 concederam R$ 53,8 bilhões, crescimento de 51% em relação ao ano anterior, mesmo com juros elevados e custo de captação mais alto.
O levantamento foi realizado pela PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). Os dados indicam que o segmento deixou de ser composto apenas por empresas em fase experimental e passou a concentrar esforços em eficiência operacional, gestão de risco, garantias e automação.
A expansão também aparece no número de usuários. As fintechs pesquisadas chegaram a 86,1 milhões de clientes pessoa física no Brasil e a outros 8,7 milhões no exterior. Somadas, as bases representam 94,9 milhões de consumidores atendidos, um alcance que amplia a relevância dessas empresas no sistema financeiro e aumenta a necessidade de estruturas capazes de sustentar operações de grande porte.
O crescimento veio principalmente das operações existentes
Um dos principais sinais de maturidade apontados pela pesquisa está na origem do avanço registrado em 2025. Segundo o estudo, 82% do crescimento veio da ampliação de operações que já estavam em funcionamento. Apenas 18% foi relacionado ao lançamento de novas soluções.
O resultado sugere uma mudança de prioridade dentro das fintechs de crédito digital. Em vez de depender principalmente da criação contínua de produtos, as empresas passaram a buscar maior eficiência em modelos já testados, com aumento de escala e aperfeiçoamento dos processos de concessão. Essa estratégia é especialmente relevante em um ambiente de crédito mais caro e de maior pressão sobre o capital.
Para quem contrata crédito, a mudança pode significar uma oferta apoiada em processos mais estruturados. Para as próprias fintechs, entretanto, crescer sobre operações existentes exige controle rigoroso de inadimplência, análise de risco e capacidade tecnológica. O avanço do volume concedido, por si só, não elimina os desafios associados à qualidade da carteira e à sustentabilidade financeira.
Garantias ganham espaço na gestão do risco
A pesquisa mostra que 79% das fintechs participantes já aceitam algum tipo de garantia em suas operações. Esse é o maior nível registrado pela série histórica do levantamento e reforça a importância de mecanismos de proteção em um período marcado por juros elevados, captação mais cara e exigências regulatórias mais intensas.
A adoção de garantias representa uma tentativa de equilibrar expansão e controle de risco. Na prática, o recurso pode fazer parte da estrutura de operações voltadas a diferentes perfis de clientes, embora a pesquisa não detalhe, no conteúdo divulgado, quais modalidades são utilizadas por cada empresa. O dado indica, de forma geral, que o setor busca instrumentos adicionais para sustentar o crescimento do crédito.
Esse movimento ocorre em um ambiente acompanhado pelo Banco Central. A agenda de notícias e regulação do Banco Central do Brasil reúne informações sobre o sistema financeiro e ajuda a contextualizar o cenário institucional em que as fintechs atuam. A combinação entre expansão, maior uso de garantias e ambiente regulatório mais exigente coloca a organização dos processos no centro da estratégia das empresas.
Inteligência artificial será uma das próximas frentes
A inteligência artificial aparece como outra prioridade para o setor. De acordo com a pesquisa da PwC Brasil e da ABCD, 96% das empresas participantes pretendem implementar ou ampliar soluções de IA nos próximos dois anos. A tecnologia deve ser incorporada a uma fase em que as fintechs procuram ampliar a eficiência e administrar volumes maiores de operações.
O levantamento não estabelece que todas as empresas já utilizem inteligência artificial da mesma maneira nem especifica quais aplicações serão adotadas. A expectativa de implementação ou expansão, contudo, mostra que a tecnologia passou a fazer parte do planejamento estratégico da maioria das participantes.
O avanço também traz responsabilidades. À medida que modelos automatizados passam a apoiar processos financeiros, aumentam as exigências relacionadas à gestão de risco, à proteção de dados e à capacidade de explicar decisões. Para consumidores e empresas, a evolução poderá ampliar a conveniência e a velocidade dos serviços, mas a expansão precisa ser acompanhada de controles compatíveis com a dimensão das operações.
Setor busca crescer com mais eficiência
Os números de 2025 combinam três movimentos: aumento expressivo do crédito concedido, expansão da base de clientes e maior preparação para o uso de garantias e inteligência artificial. Juntos, eles mostram um segmento que procura consolidar sua presença no mercado, mesmo diante de condições financeiras menos favoráveis.
O próximo ciclo das fintechs de crédito digital tende a ser marcado menos pela experimentação e mais pela capacidade de executar operações em escala. A pesquisa da PwC Brasil e da ABCD aponta que o desafio não está apenas em conquistar novos usuários, mas em manter eficiência, controlar riscos e oferecer soluções sustentáveis para consumidores e empresas em um mercado cada vez mais estruturado.
