A representação política das mulheres em Palmas, cidade no sul do Paraná, é um reflexo de um fenômeno que ainda persiste em várias regiões do Brasil: a baixa presença feminina nos cargos de poder. Desde 1947, quando começaram as eleições para o Legislativo local, apenas 10 mulheres foram eleitas para a Câmara Municipal, o que representa menos de 10% do total de 182 vereadores eleitos até 2024. Este dado reflete um desafio contínuo para a participação política das mulheres, especialmente quando consideramos que, no eleitorado, elas representam mais de 50%.
As primeiras mulheres a conquistar cadeiras na Câmara Municipal de Palmas foram Maria Chaves Loureiro, em 1959, seguida por Ondina Marcondes Araújo, em 1969. Essas pioneiras abriram o caminho para outras mulheres, mas o número de vereadoras nunca ultrapassou uma pequena fração do total de cargos ocupados ao longo dos anos. Embora houvesse avanços, como as eleições de Lazy Mazalotti Dal Pian em 1977 e Eny Aparecida Tives em 1983, o cenário se manteve desafiador. A escassez de mulheres em cargos políticos em Palmas mostra como a política local ainda é, predominantemente, um domínio masculino.
Além das dificuldades históricas enfrentadas pelas mulheres para serem eleitas, a representatividade feminina na política de Palmas também é limitada pela falta de incentivos e pela desigualdade nas oportunidades de campanhas. A ausência de uma mulher na prefeitura do município até 2024 reforça ainda mais a ideia de um sistema político que não favorece a equidade de gênero. Mesmo com o número crescente de mulheres no eleitorado, que representam 52% do total de eleitores, o número de candidaturas femininas permanece aquém.
A década de 2000 viu o surgimento de novas lideranças femininas, como Joana D’Arc Franco de Araújo, que se destacou ao ser eleita vereadora em 2008 e, posteriormente, assumir a prefeitura de Palmas por questões judiciais. Sua reeleição em 2012 e a eleição de Célia Paim como vereadora foram marcos importantes, mas o cenário continuou com uma predominância de representantes masculinos. Célia Paim, reeleita em 2016, e Silvana Ribas, que assumiu como suplente, também foram notáveis, mas o número de mulheres no Legislativo ainda era muito baixo em comparação aos homens.
Em 2020, embora o número de candidatas tenha aumentado, o resultado das urnas foi frustrante, pois nenhuma mulher foi eleita diretamente. No entanto, Ana Maria da Rosa Serafim assumiu uma cadeira na Câmara Municipal devido à substituição de um parlamentar, o que, ainda assim, não foi suficiente para mudar significativamente a representatividade feminina. Em 2024, a eleição de Daniela Balhs foi um pequeno avanço, mas, novamente, o número de mulheres eleitas foi muito reduzido, refletindo a continuidade de um quadro desigual.
Esse cenário de sub-representação das mulheres na política de Palmas é, em muitos aspectos, um reflexo das barreiras sociais, culturais e econômicas que as mulheres enfrentam para ingressar na política. A desigualdade de gênero persiste, e as mulheres que buscam se destacar na vida política precisam enfrentar não só a falta de apoio, mas também preconceitos estruturais que limitam suas chances de sucesso. O baixo número de mulheres na política também está relacionado à falta de políticas públicas eficazes que incentivem a participação feminina em esferas de poder.
Embora o eleitorado feminino seja maioria, o reflexo desse poder nas urnas é apenas parcial. As mulheres, ao longo da história política de Palmas, ocuparam menos de 10% dos cargos políticos, o que mostra que, apesar de todo o avanço na educação e no empoderamento feminino, a política local ainda é um campo predominantemente masculino. Para mudar esse quadro, é essencial que mais mulheres se envolvam ativamente nas eleições, apoiadas por políticas que incentivem a equidade de gênero.
Por fim, é necessário que Palmas, assim como outras cidades, promova medidas concretas para aumentar a presença feminina na política, incluindo a implementação de quotas e o fortalecimento de políticas de capacitação e apoio às candidaturas femininas. Somente com a participação efetiva das mulheres na política será possível construir uma sociedade verdadeiramente democrática e representativa, onde as necessidades e os direitos de todos os cidadãos, independentemente do gênero, sejam igualmente atendidos.
Autor: Vyre Crale
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital