Como elucida o Dr. Kelsem Ricardo Rios Lima, em um contexto cada vez mais complexo, no qual relações civis, empresariais e patrimoniais se tornam mais sofisticadas, ganha relevância a compreensão de que a segurança jurídica se constrói a partir do registro, e não apenas quando surge um conflito. Ainda é comum associar a proteção de direitos exclusivamente à atuação do Judiciário, como se ela começasse apenas diante de um problema. No entanto, a solidez das relações legais se estabelece previamente, por meio de atos formais, registros corretos e documentação adequada.
Evite que um direito só seja lembrado quando já virou problema. Entenda como o registro certo, no momento certo, é o que realmente protege seu patrimônio e suas relações.
A segurança jurídica construída no registro é só teoria ou funciona na prática?
A noção de que a proteção jurídica se constrói a partir do registro não é algo abstrato, mas um fato que se manifesta no dia a dia. Quando um imóvel está corretamente registrado, há definição clara sobre a titularidade, eventuais ônus e os direitos vinculados ao bem. Essa organização reduz a possibilidade de conflitos futuros e oferece mais segurança a quem compra, vende, financia ou investe.
Na prática, a ideia de que a segurança jurídica se constrói a partir do registro aparece justamente na prevenção. Um contrato registrado, uma ata formalizada ou um ato societário arquivado corretamente geram provas consistentes e diminuem o espaço para interpretações ambíguas. Em vez de depender apenas de testemunhos ou acordos verbais, as partes passam a contar com documentos que estruturam direitos e deveres de maneira clara e organizada.
Segundo Kelsem Ricardo Rios Lima, isso não elimina totalmente a possibilidade de conflitos, mas reduz drasticamente sua frequência e complexidade. Quando um eventual litígio surge, a existência de registros corretos facilita a solução, encurta processos e dá maior previsibilidade às decisões. Assim, o registro funciona como um mecanismo de estabilização das relações jurídicas, tornando o ambiente social e econômico mais confiável.

Como o registro atua na prevenção de disputas e fraudes?
O registro cria publicidade, autenticidade e segurança, elementos essenciais para a proteção de direitos. Ao dar publicidade a determinados atos, o sistema registral torna as informações acessíveis e oponíveis a terceiros. Isso significa que a existência de um direito não fica restrita às partes envolvidas, mas passa a ter reconhecimento oficial, dificultando fraudes e alegações de desconhecimento.
Outro ponto fundamental destacado pelo Dr. Kelsem Ricardo Rios Lima, é a organização da cadeia de informações. No caso de bens imóveis, por exemplo, o histórico registral permite acompanhar a sequência de proprietários, ônus e restrições. Essa rastreabilidade protege compradores de boa-fé e dificulta a circulação de direitos baseados em situações irregulares. Portanto, o registro não apenas documenta, mas estrutura um sistema de confiança que sustenta o funcionamento do mercado.
Por que a ausência de registro pode gerar problemas graves no futuro?
Conforme Kelsem Ricardo Rios Lima, a falta de registro adequado pode parecer irrelevante em um primeiro momento, especialmente quando há confiança entre as partes. No entanto, o tempo, as mudanças de circunstâncias e a sucessão de pessoas podem transformar acordos informais em fontes de conflito. O que antes era consenso pode se tornar dúvida, e a ausência de prova formal complica a solução.
Em situações patrimoniais, isso é ainda mais sensível. A compra de um imóvel sem registro, a constituição de direitos sem formalização ou a ausência de atualização de dados pode resultar em perda de direitos, dificuldade de venda, problemas em financiamentos e disputas judiciais complexas. Por fim, pode-se concluir que o custo de regularizar depois costuma ser muito maior do que o de registrar corretamente desde o início.
Autor: Vyre Crale
