A proteção aproximada de pessoas em situação de risco elevado é uma das modalidades mais exigentes e menos tolerantes a erros do universo da segurança privada. Como destaca Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal, cada detalhe conta: a distância mantida em relação ao protegido, o posicionamento da equipe durante deslocamentos, a qualidade do reconhecimento prévio de ambientes, a consistência na variação de rotas e a capacidade de resposta coordenada em situações de ameaça ativa.
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Quais são os erros de planejamento que criam vulnerabilidades antes de a operação começar?
O primeiro erro de planejamento com maior impacto na segurança do protegido é a realização inadequada do reconhecimento prévio de ambientes. Operações que chegam a um local sem que a equipe de proteção tenha mapeado previamente as saídas de emergência, identificado os pontos de maior exposição, verificado a cobertura de comunicação e levantado informações sobre o perfil de pessoas e atividades comuns naquele espaço operam num grau de incerteza que as torna inerentemente mais vulneráveis do que seria necessário. Ernesto Kenji Igarashi pontua que o reconhecimento prévio não elimina o imprevisto, mas reduz significativamente o espectro do imprevisível, e essa redução tem valor operacional concreto.
A ausência de planejamento de contingência para os cenários de maior probabilidade e maior impacto é o segundo erro de planejamento crítico. Cada operação de proteção aproximada deveria ser acompanhada de um conjunto claro de protocolos de resposta para os cenários de risco identificados no planejamento: o que fazer se o veículo principal for bloqueado, quem assume o comando se o líder de equipe for neutralizado, qual é a rota de extração alternativa se a primária estiver comprometida. Equipes que chegam ao campo sem esses protocolos previamente definidos e treinados tomam decisões reativas sob pressão extrema, o que invariavelmente resulta em respostas mais lentas, menos coordenadas e mais propensas a erro do que as respostas de equipes que ensaiaram as contingências.
Que erros operacionais em campo aumentam a exposição do protegido durante as missões?
Ernesto Kenji Igarashi alude que a previsibilidade de rotinas é o erro operacional de campo com maior potencial de criação de vulnerabilidade explorada por grupos adversários organizados. Protegidos que utilizam a mesma rota todos os dias, chegam ao escritório no mesmo horário, frequentam os mesmos restaurantes nas mesmas faixas de horário e seguem padrões comportamentais suficientemente regulares para serem mapeados por observação passiva estão oferecendo ao adversário a informação mais valiosa que ele precisa para planejar uma ação: a certeza de onde o alvo estará em determinado momento. A variação sistemática de rotas, horários, locais de parada e modos de deslocamento é uma das contramedidas mais eficientes e menos custosas disponíveis em operações de proteção, e sua negligência é um dos erros mais frequentemente identificados em análises de incidentes.

A degradação dos protocolos de segurança pela proximidade e confiança desenvolvidas ao longo do tempo é o segundo erro operacional de campo de impacto significativo. Equipes de proteção que trabalham com o mesmo protegido por períodos prolongados desenvolvem inevitavelmente uma relação de familiaridade que, se não gerida conscientemente, começa a erodir a disciplina de protocolo. O profissional que permite que o protegido saia do carro antes da verificação de ambiente porque ele está com pressa, que aceita uma mudança de rota de última hora sem comunicação à central, ou que reduz a distância de segurança porque a situação parece tranquila, está deixando a experiência acumulada de tranquilidade substituir o protocolo que existe precisamente porque as situações de risco não anunciam sua chegada.
O uso inadequado de comunicações durante operações em campo representa o terceiro vetor de erro com consequências operacionais diretas, comenta o ex-coordenador da equipe tática na Polícia Federal, Ernesto Kenji Igarashi. Equipes que discutem detalhes de posicionamento, movimentação ou características do protegido em canais de comunicação não criptografados, que comunicam a localização em tempo real através de plataformas de mensagens convencionais ou que utilizam linguagem excessivamente explícita sobre a identidade e o status do protegido em comunicações de rádio abertas, estão potencialmente fornecendo informações em tempo real a atores adversos que monitoram esses canais. A disciplina de comunicação operacional é um elemento de treinamento que precisaria receber muito mais atenção do que recebe na maioria dos programas de capacitação do setor.
Como estruturar processos de melhoria contínua em equipes de proteção aproximada?
A revisão sistemática após cada operação, com análise específica dos momentos em que os protocolos foram cumpridos integralmente, dos pontos em que houve desvio e das razões desses desvios, é o mecanismo fundamental de melhoria contínua em equipes de proteção. Por fim, Ernesto Kenji Igarashi expressa que essa revisão, conduzida num ambiente de análise técnica sem atribuição de culpa, permite que padrões de desvio sejam identificados antes que se tornem vulnerabilidades exploradas. Equipes que realizam esse processo de forma consistente acumulam um repertório de aprendizados práticos que transforma cada operação num ciclo de melhoria, e não apenas numa unidade de trabalho cumprida.
O treinamento com cenários variados, que desafia a equipe com situações para as quais os protocolos existentes não têm resposta previamente definida, é o complemento necessário ao aprendizado baseado em operações reais. Forçar a equipe a tomar decisões em condições de incerteza, com informação incompleta e sob pressão temporal realista, desenvolve a capacidade de julgamento situacional, que é o que diferencia equipes de proteção verdadeiramente eficientes das equipes que apenas executam protocolos bem quando as condições são favoráveis.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
